{"provider_url": "https://www.juina.mt.leg.br", "title": "Hist\u00f3ria do Munic\u00edpio de Ju\u00edna", "html": "<p style=\"text-align: justify; \"><b>1.1. Caracteriza\u00e7\u00e3o Geral</b></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b>\u00a0</b><span>Ju\u00edna \u00e9 uma das cidades planejadas da \u00e1rea de recente ocupa\u00e7\u00e3o do Estado de Mato Grosso. Nasceu de um programa de coloniza\u00e7\u00e3o gerida pela Companhia de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso e no contexto de um programa federal de ocupa\u00e7\u00e3o produtiva da Amaz\u00f4nia Brasileira. \u00c9 p\u00f3lo regional da RP I \u2013 Regi\u00e3o de Planejamento I: \u201cRegi\u00e3o Noroeste\u201d do Estado.</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">A posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do munic\u00edpio e da regi\u00e3o Noroeste constitui o principal fator limitativo de seu desenvolvimento se as estrat\u00e9gias e as infra-estruturas de sua integra\u00e7\u00e3o competitiva com o mercado nacional e internacional n\u00e3o forem concretizadas conforme previstas no Projeto Ju\u00edna, propostas pela CODEMAT \u2013 Companhia de Desenvolvimento de Mato Grosso e estabelecidas pelo POLAMAZ\u00d5NIA - Programa Nacional de Integra\u00e7\u00e3o Produtiva da Amaz\u00f4nia.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">No per\u00edodo de execu\u00e7\u00e3o do projeto Ju\u00edna, essas infra-estruturas estavam celeremente sendo executadas pelo Governo Federal. A Cuiab\u00e1 \u2013 Santar\u00e9m (BR 163) estava sendo constru\u00edda pelo 9\u00ba BEC \u2013 Batalh\u00e3o de Engenharia e Constru\u00e7\u00e3o; a Transamaz\u00f4nica (segmento da rodovia transoce\u00e2nica) estava sendo constru\u00edda, enquanto sua \u00e1rea de influ\u00eancia direta estava sendo organizada fundiariamente por meio de projetos de coloniza\u00e7\u00e3o do INCRA (Altamira, Itaituba, e outros). Nesse contexto de demonstra\u00e7\u00e3o de vontade pol\u00edtica nacional e viabilidade operacional, a comunidade nacional acatou a convoca\u00e7\u00e3o oficial do Governo e aceitou a aventura de cria\u00e7\u00e3o desse p\u00f3lo econ\u00f4mico de Ju\u00edna como parte da estrat\u00e9gia nacional de integra\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Por\u00e9m, a descontinuidade do programa trouxe o atual impasse no processo de desenvolvimento regional e de cria\u00e7\u00e3o da prevista <b>centralidade urbana macro-regional</b> <b>em Ju\u00edna</b>.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Entretanto, recentes mobiliza\u00e7\u00f5es nacionais voltam a colocar na agenda estrat\u00e9gica de seguran\u00e7a nacional o tema da ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, agora com cuidadoso componente de sustentabilidade ambiental.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">O zoneamento s\u00f3cio-econ\u00f4mico-ecol\u00f3gico de Mato Grosso definiu doze macro-regi\u00f5es de planejamento no Estado de Mato Grosso. A regi\u00e3o I \u00e9 denominada \u201cRP Noroeste\u201d, da qual Ju\u00edna \u00e9 o P\u00f3lo Regional e integra os seguintes munic\u00edpios: Castanheira, Colniza, Cotrigua\u00e7u, Ju\u00edna, Juruena e Rondol\u00e2ndia. O desenvolvimento de Ju\u00edna est\u00e1 relacionado com a dos munic\u00edpios de sua regi\u00e3o, implicando a necessidade de uma integra\u00e7\u00e3o regional para o desenvolvimento de cada um dos munic\u00edpios envolvidos.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0Com base em2002, aRP de Ju\u00edna tem uma popula\u00e7\u00e3o total de 39.825 habitantes e Valor Adicionado de R$ 427,7 milh\u00f5es. \u00c9 a segunda menos representativa do Estado, onde se concentra 2,4% da riqueza gerada no Estado, com atividade predominante no setor extrativo/agropecu\u00e1rio 3,07%; servi\u00e7os 2,32% e ind\u00fastria 1,80%. (Fonte: SEPLAN MT 2002).</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Os problemas urbanos da regi\u00e3o s\u00e3o diminutos diante da magnitude de seus problemas de ordenamento territorial ambiental e de falta de infra-estrutura para inser\u00e7\u00e3o competitiva no mercado. Seus problemas urbanos ser\u00e3o agravados sensivelmente depois da conclus\u00e3o da liga\u00e7\u00e3o asf\u00e1ltica com Cuiab\u00e1 se n\u00e3o tiver um Plano Diretor aprovado com instrumentos adequados e uma estrutura de gerenciamento participativo condizente com a necessidade exigida.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">A posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de Ju\u00edna condiciona consideravelmente a sua competitividade na disputa do mercado nacional e internacional com os p\u00f3los produtores mais pr\u00f3ximos dos centros de consumo e dos corredores de exporta\u00e7\u00e3o tradicionais do pa\u00eds.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">A estrat\u00e9gia para desenvolvimento sustent\u00e1vel est\u00e1 associada \u00e0 perspectiva de abertura de rede vi\u00e1ria que permita exporta\u00e7\u00e3o de seus produtos por Santar\u00e9m, Porto Velho, Itacoatiara e, a longo prazo, Rio Branco (demandando aos portos do Pac\u00edfico).</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Outra estrat\u00e9gia de consolida\u00e7\u00e3o da economia regional do P\u00f3lo Ju\u00edna consiste na constru\u00e7\u00e3o de sua malha vi\u00e1ria de integra\u00e7\u00e3o das centralidades urbanas do P\u00f3lo Ju\u00edna. Rondol\u00e2ndia \u00e9 um exemplo dessa desintegra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 alternativa atual para acesso \u00e0quele munic\u00edpio por vias internas da regi\u00e3o. Rondol\u00e2ndia est\u00e1 a354 quil\u00f4metrosde Ju\u00edna por linha reta, mas seu acesso rodovi\u00e1rio atual \u00e9 feito por Vilhena(roteiro: Ju\u00edna \u2013 Vilhena \u2013 Ji-paran\u00e1 \u2013 Rondol\u00e2ndia, num total630 km, passando pelo Estado de Rond\u00f4nia (Tabela 01).</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">As caracter\u00edsticas pr\u00f3prias de Ju\u00edna faz do munic\u00edpio um p\u00f3lo atrativo na RP Noroeste, conforme pode ser observado na tabela a seguir</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0</p>\r\n<p align=\"center\" style=\"text-align: justify; \">Tabela 02- <b>Informa\u00e7\u00f5es gerais de Ju\u00edna</b></p>\r\n<p align=\"center\" style=\"text-align: justify; \">\u00a0</p>\r\n<table>\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Ano de Cria\u00e7\u00e3o<span></span></p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">1982<span></span></p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Dist\u00e2ncia de Cuiab\u00e1 (km)<span></span></p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">737<span></span></p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>\u00c1rea Geogr\u00e1fica (Km2)<span></span></p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">*26.415,68 km2<span></span></p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Popula\u00e7\u00e3o Ano de 2000<span></span></p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">38.017<span></span></p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Popula\u00e7\u00e3o Ano de 2004<span></span></p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">39.064<span></span></p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Taxa Geom\u00e9trica de Crescimento Anual 2000/2004 (%)</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">0,68</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Taxa de urbaniza\u00e7\u00e3o 2000 (%)</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">80,19</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>N\u00b0 de eleitores _ 2004</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">25.647</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Taxa de eleitores _ 2004(%)</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">1,37</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Taxa de mortal. Infantil 1999 (1) (%)</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">26,85</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Taxa de analfabetos 2000 (%)</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">13,90</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Rendimento m\u00e9dio mensal do chefe de fam\u00edlia</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">4,74</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Taxa de domic\u00edlio com abastecimento de \u00e1gua (2000) (%)</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">22,50</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>IDH _ 1991</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">0,666</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>IDH _ 2000</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">0,749</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>IDH Varia\u00e7\u00e3o 1991/2000</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">1,12</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>IDHM _ 2000</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">0,749</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>IDHM Renda _ 2000</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">0,716</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>IDHM Longevidade _ 2000</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">0,732</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>IDHM Educa\u00e7\u00e3o _ 2000</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">0,799</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Ranking IDHM</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">47</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa (PEA) ANO 2000</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">18.879</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Taxa de ocupa\u00e7\u00e3o (%)</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">94,44</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p>Taxa de desemprego (%)</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">5,56</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n</tbody>\r\n</table>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b><span>\u00a0</span></b></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b>1.2 \u2013 Aspectos hist\u00f3ricos</b></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b>\u00a0</b><span>A import\u00e2ncia dessa an\u00e1lise hist\u00f3rica no contexto do I Plano Diretor Municipal de Ju\u00edna est\u00e1 no fato de ela ter surgido de um chamamento oficial do Governo Brasileiro e do Governo do Estado para um a\u00e7\u00e3o patri\u00f3tica de ocupa\u00e7\u00e3o produtiva e racional do ent\u00e3o vazio demogr\u00e1fico do pa\u00eds. A cultura do </span><b>Brasil de Litoral</b><span> vicejou entre 1500 e 2000. No Terceiro Mil\u00eanio, Ju\u00edna faz parte da epop\u00e9ia nacional de constru\u00e7\u00e3o da cultura do </span><b>Brasil Continental</b><span>. Esse ideal p\u00e1trio consolida-se com o lema: \u201cIntegrar para n\u00e3o entregar\u201d, que se enriquece agora com os princ\u00edpios da </span><b>Sustentabilidade,</b><span> nas suas diferentes dimens\u00f5es: social, ambiental, econ\u00f4mica e institucional.</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Um aspecto importante a ser considerado nesta revis\u00e3o hist\u00f3rica da sociedade juinense \u00e9 que sua forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi por uma invas\u00e3o clandestina ou de ocupa\u00e7\u00e3o informal de \u00e1rea pioneira. Ela foi resultante de um chamamento oficial do Governo, convocando empres\u00e1rios, cooperativas e trabalhadores de todo o Brasil para um \u201c<b>patri\u00f3tico processo de ocupa\u00e7\u00e3o racional</b>\u201d, dentro de um programa em que o Governo faria a sua parte e enquanto a iniciativa privada faria a sua.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">A crise atual e o atraso na consecu\u00e7\u00e3o dos objetivos da regi\u00e3o guardam mais rela\u00e7\u00e3o com a <b>descontinuidade das a\u00e7\u00f5es governamentais</b> do que por outros fatores: a infra-estrutura de liga\u00e7\u00e3o de Ju\u00edna com os corredores de exporta\u00e7\u00e3o, a energia el\u00e9trica, o zoneamento s\u00f3cio-econ\u00f4mico \u2013 ecol\u00f3gico, s\u00e3o alguns dos fatores de compet\u00eancia do Estado Brasileiro e que sofreu razo\u00e1vel atraso. Documentos hist\u00f3ricos devem ser bem conservados para comprovar tal fato: filme em16 mm de divulga\u00e7\u00e3o do projeto em 1978. Hoje, convertido para VHF e DVD.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">A ACP Inform\u00e1tica pesquisou e adquiriu um acervo hist\u00f3rico da CODEMAT que relata parte da hist\u00f3ria do nascimento de Ju\u00edna e que demonstra o chamamento oficial do Estado e do Governo Federal para essa a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de expans\u00e3o de fronteira econ\u00f4mica</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">No document\u00e1rio, o ent\u00e3o Diretor Presidente da Companhia de Desenvolvimento da CODEMAT, em nome do Governo, faz uma convoca\u00e7\u00e3o nacional nos seguintes termos:</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b>\u00a0\u201cE isto j\u00e1 \u00e9 verdade, senhores!\u201d</b></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b><i>\u201cConvocamos, neste momento, os empres\u00e1rios, as cooperativas, as colonizadoras, para este patri\u00f3tico processo de realiza\u00e7\u00e3o conjunta Governo \u2013 Setor Privado. Convocamos, tamb\u00e9m, os trabalhadores rurais, de todo o Brasil, que t\u00eam real tradi\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, recurso suficiente e desejo imediato de ocupa\u00e7\u00e3o de seu lote, para entrar em contato com uma de nossas unidades de cadastramento e sele\u00e7\u00e3o.\u201d </i></b></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b><i>\u201cVamos todos acenar juntos para o pa\u00eds, com esp\u00edrito de desenvolvimento, mostrando confian\u00e7a no Governo Brasileiro, confian\u00e7a no Governo de Mato Grosso e participando historicamente da ocupa\u00e7\u00e3o do universo do territ\u00f3rio p\u00e1trio.\u201d </i></b></p>\r\n<p align=\"center\" style=\"text-align: justify; \"><i>Diretor Presidente da CODEMAT</i></p>\r\n<p align=\"center\" style=\"text-align: justify; \"><i>Companhia de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso.1978</i></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">O Governo Federal desenvolvia, nessa \u00e9poca, programas de abertura de estradas de integra\u00e7\u00e3o nacional (Cuiab\u00e1 \u2013 Santar\u00e9m, Rodovia Transamaz\u00f4nica e in\u00edcio da Perimetral Norte). Investia em infra-estruturas portu\u00e1rias, principalmente em Santar\u00e9m, tudo no sentido de implantar, em ritmo acelerado, o corredor de exporta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, como uma das estrat\u00e9gias do programa de seguran\u00e7a nacional.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0 Nesse clima nacional de vontade pol\u00edtica, Ju\u00edna foi apoiada como parte da estrat\u00e9gia de ocupa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de centralidade urbana com fun\u00e7\u00e3o macro-regional no continente integrado.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Ju\u00edna come\u00e7ou bem e de forma ordenada. O extraordin\u00e1rio potencial de madeiras nobres existentes nos lotes constituiu-se na primeira fonte de renda do colono. Estudos da Se\u00e7\u00e3o de Tecnologia da Madeira, na CODEMAT, estimaram em CR$ 10.000,00 de madeira bruta por hectare, destacando-se: Mogno, Cerejeira, Sucupira, Peroba, Angelim Pedra, Ip\u00ea, Amarelinho, Cambar\u00e1, Amburana, Ita\u00faba, Guarant\u00e3\u00a0 e mais 40 esp\u00e9cies\u00a0 utilizadas na ind\u00fastria de m\u00f3veis, na constru\u00e7\u00e3o civil e naval. Isso representou, de in\u00edcio, uma receita superior ao pre\u00e7o do lote.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Tr\u00eas grandes serrarias imigrantes do Sul do Brasil instalaram-se no projeto por chamamento da CODEMAT, a fim de que n\u00e3o fosse comercializada madeira em toras fora da \u00e1rea do projeto. Aqui se produzia e exportava-se madeira beneficiada, tais como: forros, tacos, lambris, assoalhos e madeiras de estrutura.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Nessa fase de assentamento, o Governo promoveu uma campanha did\u00e1tica junto aos colonos, alertando-os com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o florestal e a respeito das medidas conservacionistas necess\u00e1rias.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><span>\u00a0</span><span>\u00a0 1.2.1 - \u201cIntegrar para n\u00e3o entregar\u201d</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">A hist\u00f3ria de Ju\u00edna traz muitos ensinamentos para orienta\u00e7\u00e3o de um esfor\u00e7o de planejamento estrat\u00e9gico de longo prazo como \u00e9 o caso do atual processo de constru\u00e7\u00e3o do seu <b>I Plano Diretor Municipal Participativo.</b> Na d\u00e9cada 1970 \u2013 1980, Mato Grosso era objeto de uma intensa a\u00e7\u00e3o governamental dedicada ao programa nacional de integra\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, sob o lema: \u201c<b>Integrar para n\u00e3o entregar</b>\u201d. A SUDECO \u2013 Superintend\u00eancia de Desenvolvimento do Centro Oeste e a CODEMAT \u2013 Companhia de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso, trabalham em parceria para implanta\u00e7\u00e3o de infra-estrutura de integra\u00e7\u00e3o regional nas frentes pioneiras de expans\u00e3o da fronteira econ\u00f4mica do Estado. O programa Polamaz\u00f4nia, criado pelo Governo Federal, tinha dois p\u00f3los de a\u00e7\u00e3o muito ligados a Mato Grosso: P\u00f3lo Juruena e P\u00f3lo Aripuan\u00e3.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Em 1973, o 9\u00ba Batalh\u00e3o de Engenharia do Ex\u00e9rcito Brasileiro \u2013 9\u00ba BEC, comandava a acelerada constru\u00e7\u00e3o da rodovia Cuiab\u00e1 \u2013 Santar\u00e9m como uma das vias futuras de exporta\u00e7\u00e3o dos centros produtivos a serem fomentados na regi\u00e3o. A Transamaz\u00f4nica cortaria no sentido Leste \u2013 Oeste a Amaz\u00f4nia, com a vis\u00e3o estrat\u00e9gica de promover a interliga\u00e7\u00e3o Atl\u00e2ntico \u2013 Pac\u00edfico para consolida\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da Amaz\u00f4nia Brasileira e a promo\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Mato Grosso, como o Centro Geod\u00e9sico do Continente, era alvo de muito interesse como regi\u00e3o de desenvolvimento de centralidades urbanas na rede sul-americana de com\u00e9rcio internacional liderado pelo Brasil.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Na vis\u00e3o de futuro 1972 \u2013 1992, buscou-se imaginar e idealizar a ocupa\u00e7\u00e3o produtiva da \u00e1rea de influ\u00eancia da \u201cAR \u20131\u201dpor meio de um processo integrado de coloniza\u00e7\u00e3o, que serviria de modelo de a\u00e7\u00e3o governamental na a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de expans\u00e3o da fronteira econ\u00f4mica do pa\u00eds. Era um clima nacional que visava \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o e a seguran\u00e7a definitiva de dom\u00ednio do universo do territ\u00f3rio p\u00e1trio. Outra grande componente dessa vis\u00e3o de futuro era a abertura de novos corredores de exporta\u00e7\u00e3o para incremento da competitividade dos produtos da regi\u00e3o no mercado internacional.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Ju\u00edna nasceu como um pacto entre o Poder P\u00fablico, os colonizadores e as fam\u00edlias de trabalhadores e produtores rurais de todo o Brasil que se dispusessem a aceitar o desafio dessa jornada. Sabia-se que a regi\u00e3o de Ju\u00edna n\u00e3o apresentava grande vantagem competitiva frente aos centros produtores mais pr\u00f3ximos dos portos tradicionais de exporta\u00e7\u00e3o. Da\u00ed a import\u00e2ncia das alternativas vi\u00e1rias j\u00e1 referidas.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">A transamaz\u00f4nica tinha por meta estrat\u00e9gica a constru\u00e7\u00e3o de rede vi\u00e1ria intermodal para liga\u00e7\u00e3o do Brasil com os portos do Pac\u00edfico (Ilo, Arica, Antofagasta e outros). Essa expectativa atraiu colonizadores e colonos de todo o Brasil para a regi\u00e3o. O Senado Federal,\u00a0 autorizou a licita\u00e7\u00e3o de 2,0 milh\u00f5es de hectares de terras devolutas para colonizadores ajudarem nesse processo de ocupa\u00e7\u00e3o ao lado da CODEMAT. Os ganhadores da concorr\u00eancia nacional foram:</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00fc\u00a0 INDECO (400.000 hectares), dando origem a Alta Floresta de hoje;</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00fc\u00a0 RENDANYL (1.000.000 de hectares) depois, OTSAR, dando surgimento ao munic\u00edpio de Cotrigua\u00e7u;</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00fc\u00a0 Colonizador Jo\u00e3o Carlos de Souza Meireles, ent\u00e3o Presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores da Amaz\u00f4nia (200.000 hectares), dando origem a Juruena;</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00fc\u00a0 COLNIZA (400.000 hectares), dando origem ao munic\u00edpio do mesmo nome</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0\u00a0 1.2.2 \u2013 Projeto Ju\u00edna: 1974</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><span>Em 1974 foi assinado um conv\u00eanio entre a CODEMAT e a SUDECO para constru\u00e7\u00e3o da mesma, com previs\u00e3o de tamb\u00e9m </span><i>implantar</i><span> uma cidade. Ap\u00f3s a defini\u00e7\u00e3o do percurso da estrada e constata\u00e7\u00e3o de que a maior parte estaria em terras do Estado do Mato Grosso, decidiu-se pelo um projeto de coloniza\u00e7\u00e3o sob responsabilidade da CODEMAT. A microlocaliza\u00e7\u00e3o da cidade de Ju\u00edna e seu planejamento f\u00edsico urbano foi executado com apoio t\u00e9cnico e financeiro da SUDECO por se tratar de um programa de interesse nacional na ocupa\u00e7\u00e3o produtiva da Amaz\u00f4nia. Naquele tempo, falava-se em \u201cocupa\u00e7\u00e3o racional\u201d\u00a0 com o mesmo conceito denominado hoje pelo termo \u201cSustent\u00e1vel\u201d.</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">A \u00e1rea de Ju\u00edna, num total de411.000 hectares, ficou sob a responsabilidade a CODEMAT para sua execu\u00e7\u00e3o ao lado da atribui\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o da AR \u2013 1 e do acompanhamento do processo de implanta\u00e7\u00e3o dos projetos privados acima referidos. A micro-localiza\u00e7\u00e3o recomendada do projeto foi a regi\u00e3o do Alto Aripuan\u00e3 e Juina Mirim, nome que foi a origem da denomina\u00e7\u00e3o oficial do projeto.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Nesse cen\u00e1rio de um Brasil continental plenamente articulado, Ju\u00edna representava a meta quase inacredit\u00e1vel de fundar uma cidade planejada em \u00e1rea de estrat\u00e9gica posi\u00e7\u00e3o no imenso vazio demogr\u00e1fico de Aripuan\u00e3. Foi escolhida a \u00e1rea localizada no km 238 da rodovia Vilhena \u2013 Aripuan\u00e3 (AR \u2013 1), ent\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o pela patrulha mecanizada da CODEMAT, com recursos transferidos pela SUDECO. A implanta\u00e7\u00e3o do Projeto Ju\u00edna ficou sob a responsabilidade da CODEMAT, que se registrou junto ao INCRA nas mesmas condi\u00e7\u00f5es de exig\u00eancias normativas a serem observadas por uma colonizadora privada.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">O projeto foi planejado e executado pela CODEMAT, com apoio t\u00e9cnico e financeiro da SUDECO e com recursos do POLAMAZ\u00d4NIA. O Diretor Presidente de CODEMAT Gabriel J\u00falio de Mattos M\u00fcller, sobrinho do ent\u00e3o Senador Filinto Muller era a lideran\u00e7a estadual na viabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos segmentos program\u00e1ticos de compet\u00eancia da CODEMAT.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">No programa, o Governo Federal, o Governo Estadual e as empresas privadas estavam convergentes em seus esfor\u00e7os para a consolida\u00e7\u00e3o do processo de ocupa\u00e7\u00e3o produtiva da Amaz\u00f4nia com base no slogan: \u201cIntegrar para n\u00e3o entregar\u201d.\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">O programa nacional unia a\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os federais, com parcerias estaduais por meio de conv\u00eanios para repasse de recursos e celebra\u00e7\u00e3o de acordos de gest\u00e3o. Assim, em1972, aSUDECO \u2013 Superintend\u00eancia de Desenvolvimento do Centro-Oeste, \u00f3rg\u00e3o subordinado ao Minist\u00e9rio do Interior, celebrou conv\u00eanio com a CODEMAT \u2013 Companhia de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso, para fins de execu\u00e7\u00e3o de projetos de desenvolvimento no Estado.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">O objetivo econ\u00f4mico do projeto Ju\u00edna era implantar um centro de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e agroindustrial para exporta\u00e7\u00e3o voltada para corredores de Santar\u00e9m e Porto Velho. A infra-estrutura vi\u00e1ria intermodal estava prevista no POLAMAZ\u00d5NIA, principalmente em seus dois programas dedicados ao POLO JURUENA e ao POLO ARIPUAN\u00c3. Rodovias transversais fariam a uni\u00e3o entre os n\u00facleos de ent\u00e3o Aripuan\u00e3 e a BR 163 (Cuiab\u00e1 \u2013 Santar\u00e9m).</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Por outro lado, a ent\u00e3o rodovia AR \u2013 01 (hoje, MT 318), faria a liga\u00e7\u00e3o do projeto Ju\u00edna com a BR 364, em Vilhena(RO).\u00a0\u00a0 Essa rota leva a Porto Velho e, a partir de Jiparan\u00e3, ao porto de Arica, no Pac\u00edfico, passando porLa Paz.(tabela 01).</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Tabela 01<b> --\u00a0 Dist\u00e2ncias de Ju\u00edna aos principais pontos de </b></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b>\u00a0destino de sua atual rela\u00e7\u00e3o inter-regional</b>:</p>\r\n<table>\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center; \">Pontos de destino</p>\r\n</td>\r\n<td style=\"text-align: center; \">\r\n<p align=\"center\">Linha Reta (km)</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">Cuiab\u00e1</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">611</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">Bras\u00edlia</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">1.552</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">Vilhena</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">210</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">Porto Velho</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">600</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">Santar\u00e9m</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">1.325</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">Rio Branco</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">1.240</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">Santos</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">2.336</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">Paranagu\u00e1</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">2.307</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">Arica (Chile)</p>\r\n</td>\r\n<td>\r\n<p align=\"center\">1.400</p>\r\n</td>\r\n</tr>\r\n</tbody>\r\n</table>\r\n<p>\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Essa estrat\u00e9gia de inser\u00e7\u00e3o regional do projeto n\u00e3o prejudicaria a sua liga\u00e7\u00e3o com os corredores tradicionais de exporta\u00e7\u00e3o voltados para Santos, Paranagu\u00e1, etc. Tal cen\u00e1rio prospectivo de longo prazo motivou a confian\u00e7a dos migrantes e o aceitamento do desafio em parceria com o Governo, que manifestava vontade pol\u00edtica e garantia viabilidade para o in\u00edcio de um processo de ocupa\u00e7\u00e3o produtiva da Amaz\u00f4nia mato-grossense (Figura 01).</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b>Aprova\u00e7\u00e3o do INCRA. </b><span>A elabora\u00e7\u00e3o do Projeto Ju\u00edna teve apoio t\u00e9cnico da SUDECO \u2013 Superintend\u00eancia de Desenvolvimento do Centro-Oeste e as normas nacionais de planejamento e gest\u00e3o de projetos de coloniza\u00e7\u00e3o supervisionado pelo INCRA. Para sua execu\u00e7\u00e3o, a CODEMAT cadastrou-se no INCRA na qualidade de colonizadora, submetendo-se aos mesmos requisitos e crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o obedecidos por uma colonizadora privada. O projeto foi elaborado de acordo com tais normas e submetido \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o do INCRA, que o analisou e aprovou, autorizando sua execu\u00e7\u00e3o por meio da Portaria N\u00ba. 904, de 19 de setembro de 1978 (Figura 02).</span></p>\r\n<p align=\"center\" style=\"text-align: justify; \"><span><br /></span></p>\r\n<p align=\"center\" style=\"text-align: justify; \"><span>Nesse programa, Ju\u00edna foi visualizada como uma importante centralidade urbana regional voltada para abertura de novos corredores de exporta\u00e7\u00e3o e para diminui\u00e7\u00e3o das desigualdades regionais. </span><b>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0</b></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Para a ger\u00eancia executiva do projeto, foi designado o Engenheiro Civil da CODEMAT \u2013 Hilton Campos, que comandava a Patrulha Mecanizada da CODEMAT e acumulava a fun\u00e7\u00e3o de engenheiro respons\u00e1vel t\u00e9cnico pela constru\u00e7\u00e3o da rodovia AR \u2013 1 e outros projetos da CODEMAT na regi\u00e3o. Os compradores foram</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><span>Ficou bem evidente para os estrategistas que o projeto n\u00e3o teria sucesso como p\u00f3lo econ\u00f4mico se tivesse que depender de escoamento de seus produtos pelos corredores tradicionais de exporta\u00e7\u00e3o de Brasil (Santos, Paranagu\u00e1, etc.) A vis\u00e3o de futuro que viabilizava o projeto e a ocupa\u00e7\u00e3o regional contemplava a sua inser\u00e7\u00e3o no mercado nacional e internacional por meio dos corredores de Santar\u00e9m e de vias inter-modais de liga\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o com os mercados do Chile, do Peru, da Bol\u00edvia e, atrav\u00e9s de seus portos no Pac\u00edfico, para os mercados promissores do Oriente (Tabela 01).</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">O chamamento foi feito oficialmente pelo Estado. A vis\u00e3o de futuro n\u00e3o se realizou de acordo com o cen\u00e1rio oficialmente estabelecido como horizonte de planejamento estrat\u00e9gico do governo. A Cuiab\u00e1 \u2013 Santar\u00e9m n\u00e3o se concretizou; As liga\u00e7\u00f5es para o Pac\u00edfico ca\u00edram no esquecimento da m\u00eddia e dos empres\u00e1rios ent\u00e3o mobilizados na \u00e9poca. Mas, as fam\u00edlias de agricultores convocados aceitaram o desafio e para c\u00e1 vieram enfrentar os riscos e as incertezas do desconhecido; os empres\u00e1rios colonizadores atenderam ao chamamento da CODEMAT e vieram ajudar nesse \u201c<i>patri\u00f3tico processo de ocupa\u00e7\u00e3o racional do territ\u00f3rio p\u00e1trio</i>\u201d. Logo surgiu a primeira escola prim\u00e1ria no n\u00facleo urbano de Juina (fig.04).</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">O dinamismo nas iniciativas governamentais naquele momento pol\u00edtico n\u00e3o permitia a elabora\u00e7\u00e3o de qualquer cen\u00e1rio prospectivo menos promissor para an\u00e1lise da sustentabilidade do desenvolvimento regional nem da competitividade de seus produtos na disputa dos mercados externo e interno. A estrutura\u00e7\u00e3o da economia de Ju\u00edna e regi\u00e3o seria baseada em agroneg\u00f3cios voltados para produtos de exporta\u00e7\u00e3o, mediante processo de agrega\u00e7\u00e3o de valores na pr\u00f3pria regi\u00e3o.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><span>1.2.3 \u2013 A Evolu\u00e7\u00e3o de Juina</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><span>Ju\u00edna teve uma evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de grande significado apesar da descontinuidade do programa nacional em cujo contexto ela se inseria. A Cuiab\u00e1 \u2013 Santar\u00e9m ainda n\u00e3o foi conclu\u00edda; As sa\u00eddas para o Pac\u00edfico,t\u00e3o debatida na \u00e9poca, passou a ser utopia da hist\u00f3ria, as vias intermodais sofreram restri\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias naturezas. Mesmo assim, registram-se os seguintes registros cronol\u00f3gicos mais relacionados com os aspectos a serem contemplados pelo Plano Diretor:</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b><span>1979</span></b>: Ju\u00edna \u00e9 elevada \u00e0 categoria de Distrito de Aripuan\u00e3, por for\u00e7a da Lei N\u00ba. 4.038, de 10 de junho de 1979;</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b><span>1979</span></b>: <b>Divis\u00e3o de Mato Grosso</b>. Governo Federal cria Mato Grosso do Sul e determina o desmembramento do Sul do Estado de Mato Grosso para forma\u00e7\u00e3o do Mato do Sul. Esse processo pol\u00edtico fez com que o Governo se dedicasse a prioridades pol\u00edticas e econ\u00f4mico-financeiras relacionadas com a consolida\u00e7\u00e3o do processo de divis\u00e3o, deixando tanto as prioridades antes estabelecidas como as emerg\u00eancias surgidas com o garimpo de Ju\u00edna para outra oportunidade.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b>1982</b><span>: Foi criado o Munic\u00edpio de Ju\u00edna, com desmembramento de 29.200 km2 do territ\u00f3rio do Munic\u00edpio de Aripuan\u00e3, por for\u00e7a da Lei N\u00ba. 4.456, de 09 de maio de 1982, promulgado pelo Governador Frederico Carlos Soares de Campos. O fluxo de fam\u00edlias que atenderam a esse chamamento oficial resultou num r\u00e1pido processo de constru\u00e7\u00e3o da cidade de Ju\u00edna, que em 1982 j\u00e1 pode ser elevado \u00e0 categoria de munic\u00edpio.</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b><span>1983</span></b>: Toma posse, a primeiro de janeiro, o primeiro Prefeito Municipal de Ju\u00edna, Sr. Orlando Pereira. Comp\u00f5e-se, tamb\u00e9m a C\u00e2mara Municipal de Ju\u00edna e , na mesma data, tomam posse os sete Vereadores integrantes da primeira Gest\u00e3o ( 1983 \u2013 1988).\u00a0 do Legislativo Municipal de Ju\u00edna: Lafaete Jacomel (Presidente), Ermi Maria Andriolo, Ademir Carlos Sordi, Ant\u00f4nio Roberto Gadani, Arlindo Pereira Coutinho, Germano Chinikoski e Osias C\u00e2ndido;</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b><span>1987</span></b>: Febre do Garimpo. O potencial diamant\u00edfero de Ju\u00edna come\u00e7a a ser divulgado. Surge a febre do garimpo de diamantes. Esse fen\u00f4meno interessa de perto ao processo do Plano Diretor por quanto desencadeou mudan\u00e7as n\u00e3o controladas no ritmo de crescimento urbano e econ\u00f4mico do Munic\u00edpio. A descoberta de garimpo de diamante no munic\u00edpio alterou toda a programa\u00e7\u00e3o e o controle antes desenhado para o processo de assentamento urbano e rural. A organiza\u00e7\u00e3o incipiente das diferentes formas associativas rurais sofre impacto com sa\u00edda de agricultores para a explora\u00e7\u00e3o garimpeira.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">O ciclo mais intensivo da minera\u00e7\u00e3o estendeu-se de1987 a1992. Adedica\u00e7\u00e3o ao garimpo provocou algumas mudan\u00e7as e acelerou outras no processo de estrutura\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do munic\u00edpio.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0A estrutura fundi\u00e1ria come\u00e7ou a se concentrar pela press\u00e3o econ\u00f4mica do garimpo, da pecuariza\u00e7\u00e3o e da falta de pol\u00edtica de fomento \u00e0 diversifica\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o rural.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Nesse fen\u00f4meno, o \u00eaxodo rural come\u00e7ou a pressionar a regularidade e legalidade do desenvolvimento urbano da sede municipal. A popula\u00e7\u00e3o urbana que era de 30 %, passou para 70 %, depois do ciclo do garimpo. A falta de infra-estrutura de integra\u00e7\u00e3o regional deve ter sido fator adicional de evas\u00e3o dos pequenos propriet\u00e1rios diante da oferta de grandes propriet\u00e1rios interessados em implanta\u00e7\u00e3o da bovinocultura em \u00e1reas j\u00e1 abertas. A situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria e a alta ocorr\u00eancia de mal\u00e1ria tamb\u00e9m ajudaram a intensificar a evas\u00e3o descrita.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b><span>1988</span></b>: <b>Surge Castanheira</b>. \u00c9 criado o Munic\u00edpio de Castanheira,\u00a0 por for\u00e7a da Lei Estadual N\u00ba. 5.320, de 04 de julho de 1988, por desmembramento de \u00e1rea do municio do Ju\u00edna num total de 3.678 km2.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b><span>1989</span></b>: <b>Economia do Garimpo</b>. O garimpo ainda continua a interferir no processo de desenvolvimento agroambiental do Munic\u00edpio. Neste ano, a produ\u00e7\u00e3o de diamantes atingiu o seu ponto mais alto da curva cronol\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o de diamantes de Ju\u00edna atingiu, nesse ano, o total de 400.000 quilates por m\u00eas, dos quais 75 % era comercializado atrav\u00e9s da Bolsa de Diamantes do munic\u00edpio. Essa atra\u00e7\u00e3o passageira da economia seduziu trabalhadores rurais e pequenos propriet\u00e1rios para a atividade garimpeira em preju\u00edzo do processo lento, por\u00e9m mais est\u00e1vel da atividade agropecu\u00e1ria. Essa situa\u00e7\u00e3o de mercado facilitou a aquisi\u00e7\u00e3o de terras j\u00e1 abertas, a fim de sua reorienta\u00e7\u00e3o para forma\u00e7\u00e3o de pastagens e implanta\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria extensiva de corte. A pecuariza\u00e7\u00e3o do processo produtivo na \u00e1rea do projeto processou uma reconcentra\u00e7\u00e3o da estrutura fundi\u00e1ria na \u00e1rea do projeto. Ademais, a extra\u00e7\u00e3o garimpeira deixou atr\u00e1s de si o custo ambiental sem qualquer retribui\u00e7\u00e3o.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Al\u00e9m disso, a falta de continuidade do processo de implanta\u00e7\u00e3o da infra-estrutura b\u00e1sica de ocupa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da regi\u00e3o causou a estagna\u00e7\u00e3o do ritmo de crescimento de Ju\u00edna. A sua baixa vantagem competitiva dificultou a implanta\u00e7\u00e3o do arranjo produtivo previamente previsto no projeto.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b><span>1990</span></b>: <b>Concentra\u00e7\u00e3o Fundi\u00e1ria</b>. Ju\u00edna est\u00e1 com problema conjuntural cr\u00edtico provocado por aumento de demanda de servi\u00e7os p\u00fablicos urbanos e insuficiente receita p\u00fablica pr\u00f3pria ou transferida. Ocorre a primeira press\u00e3o econ\u00f4mica voltada para a pecuariza\u00e7\u00e3o e para a concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. A falta de assist\u00eancia \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos pequenos produtores favorecem essa tend\u00eancia do mercado. Al\u00e9m disso, uma popula\u00e7\u00e3o migrante estimada em mais de 20.000 mil habitantes pressiona a \u00e1rea urbana, provocando o crescimento apressado e desordenado do espa\u00e7o urbano.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b><span>1992</span></b>: <b>Sociedade Civil em A\u00e7\u00e3o. Neste ano, a febre garimpeira come\u00e7a a diminuir; os pequenos produtores remanescentes buscam na organiza\u00e7\u00e3o o caminho para a sobreviv\u00eancia e para o exerc\u00edcio do controle social sobre o processo decis\u00f3rio pol\u00edtico municipal e para apoiar reivindica\u00e7\u00f5es municipais junto \u00e0s outras inst\u00e2ncias governamentais. A movimenta\u00e7\u00e3o popular para retorno ao processo normal de desenvolvimento sustent\u00e1vel do munic\u00edpio levou o Governo Municipal a emitir a Lei N\u00ba. 313 / 92, que proibia a extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio de qualquer natureza no leito e nas margens do Rio Perdido e de seus afluentes. A lei era pol\u00eamica na \u00e9poca, n\u00e3o se tendo informa\u00e7\u00f5es sobre sua efic\u00e1cia. </b></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">As medidas do governo para conten\u00e7\u00e3o de despesas ap\u00f3s a divis\u00e3o do Estado e, considerando a aus\u00eancia de maiores transfer\u00eancias de recursos federais para consolida\u00e7\u00e3o da meta federal de ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, resultou na desativa\u00e7\u00e3o da CODEMAT entre outros \u00f3rg\u00e3os. Por outro lado, a diminui\u00e7\u00e3o da atividade garimpeira, liberou m\u00e3o de obra desempregada numa regi\u00e3o com tend\u00eancia crescente de concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e implanta\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria de corte, que tem pouca capacidade de gera\u00e7\u00e3o de emprego por capital investido e por \u00e1rea ocupada.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">O iminente caos estava amea\u00e7ando at\u00e9 os mais otimistas. A fraca a\u00e7\u00e3o governamental diante da magnitude do problema, estimulou a rea\u00e7\u00e3o da sociedade civil local, que deflagrou alguns movimentos para revers\u00e3o do processo de crise. Dentre as iniciativas comunit\u00e1rias mais impactantes, destaca-se o surgimento da <b>AJOPAM</b> \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Rural Juinense Organizada Para a Ajuda M\u00fatua, da APRJ \u2013 Associa\u00e7\u00e3o dos <b>Produtores Feirantes</b> de Ju\u00edna e iniciativas semelhantes na sociedade civil local.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00c9 a sociedade se organizando para enfrentar seus direitos na articula\u00e7\u00e3o com o estado. Buscavam consenso coletivo para identifica\u00e7\u00e3o dos problemas, suas causas, estabelecimento coletivo de objetivos e busca de apoio pol\u00edtico para sua consecu\u00e7\u00e3o.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">A crise de modelo estava caracterizada. Ju\u00edna parecia repetir a crise do \u201c<i>Cuiab\u00e1 do Ouro e das Ru\u00edna</i>s\u201d de Visconde de Taunnay. Ju\u00edna, depois do ciclo do garimpo teve que sofrer as conseq\u00fc\u00eancias e os custos residuais de sua a\u00e7\u00e3o no meio ambiente e na qualidade de vida local. A hist\u00f3ria sempre revela que o garimpo enriquece o intermedi\u00e1rio e o comprador final.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">A sociedade inicia movimentos e articula\u00e7\u00f5es com pol\u00edticos e inst\u00e2ncias governamentais, com apoio da Prefeitura Municipal, buscando viabiliza\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de imediata aplica\u00e7\u00e3o para revers\u00e3o da conjuntura econ\u00f4mica insustent\u00e1vel do momento: diversifica\u00e7\u00e3o produtiva, apoio aos pequenos produtores, incentivo e apoio t\u00e9cnico para implanta\u00e7\u00e3o de culturas permanentes com viabilidade econ\u00f4mica e ambiental. A pecu\u00e1ria extensiva ainda n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de implanta\u00e7\u00e3o de frigor\u00edficos para gera\u00e7\u00e3o de emprego e para agrega\u00e7\u00e3o de valor aos produtos prim\u00e1rios da regi\u00e3o.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><b>1.3 \u2013 Caracteriza\u00e7\u00e3o F\u00edsica do Munic\u00edpio</b></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><span>O munic\u00edpio de Ju\u00edna est\u00e1 localizado na por\u00e7\u00e3o Noroeste do Estado de Mato Grosso entre os paralelos de 10\u00ba 40\u00b458\u00b4\u00b4 e 12\u00ba 21\u00b454\u00b4\u00b4, meridianos de 58\u00ba 18\u00b422\u00b4\u00b4 e 60\u00ba 27\u00b452\u00b4\u00b4, sendo que na Prefeitura Municipal as coordenadas s\u00e3o de: 11\u00ba 25\u00b405\u00b4\u00b4S e 58\u00ba 45\u00b427\u00b4\u00b4 W estando inserido na Micro-regi\u00e3o Homog\u00eanea de Aripuan\u00e3, segundo IBGE.</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00c9 um munic\u00edpio que possui riquezas minerais, sendo que o diamante \u00e9 a principal e junto com areia lavada (para constru\u00e7\u00e3o) e a argila para confec\u00e7\u00e3o de tijolos e telhas, s\u00e3o os \u00fanicos minerais explorados no munic\u00edpio. Possui ainda granitos, principalmente p\u00f3rfiros, ouro etc</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Essa regi\u00e3o sofreu a partir de 1992 um grande desmatamento, sendo que o maior \u00edndice se concentrou no ano de 1992 quando foram desmatadas170.385,47 hectaresde florestas. \u00c9 compreens\u00edvel esta atividade devido a coloniza\u00e7\u00e3o inicial do munic\u00edpio e a intensa explora\u00e7\u00e3o mineraria do diamante. Posteriormente o desmatamento foi bem menor, sendo que em 1995 atingiu o m\u00ednimo de16.080,80 hectares. O total de desmatamento at\u00e9 o ano de 2004 foi de401.516,02 hectares, de conformidade com dados da Sema.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">O curioso de tudo isto, \u00e9 o processo erosivo inexpressivo encontrado na regi\u00e3o, caracterizado por pequenas eros\u00f5es provocadas pelo trabalho (pisoteio e limpeza do chifre) do gado, conforme mostrado na fig.01.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><span>Outro processo erosivo que aparece no munic\u00edpio \u00e9 proveniente da explora\u00e7\u00e3o mineraria\u00a0 do\u00a0 diamante. Entretanto, a explora\u00e7\u00e3o mineraria \u00e9 um processo localizado e hoje as empresas s\u00e3o for\u00e7adas, por lei, a tomarem o devido cuidado para minimizar os impactos. Os locais onde sem praticava a garimpagem e que foram abandonados, est\u00e3o atualmente em processo de recomposi\u00e7\u00e3o natural. O relevo e o tipo de solos existentes no munic\u00edpio, faz com que a eros\u00e3o seja minimizada facilitando a conserva\u00e7\u00e3o do solo.</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><span>\u00a0\u00a0</span><span>1.3.1\u00a0 - Geologia</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><span>A estrutura geol\u00f3gica da \u00e1rea \u00e9 composta por unidades litoestratigr\u00e1ficas do Proteroz\u00f3ico Inferior bem como de unidades do Proteroz\u00f3ico M\u00e9dio, Paleoz\u00f3ico, Mesoz\u00f3ico e Cenoz\u00f3ico</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">A unidade litoestratigr\u00e1fica Complexo Xingu \u00e9 a mais antiga constitu\u00edda por rochas como granit\u00f3ides semelhantes ao que aparecem no Craton do Guapor\u00e9, quartzo-mica-xistos e mica-xistos. Aparece na por\u00e7\u00e3o m\u00e9dio Norte do munic\u00edpio e em pequena por\u00e7\u00e3o Nordeste. Pode conter granitos, adamelitos, granodioritos, quartzo-dioatuaslmenteritos, anfibolitos, gnaisses, migmatitos e subordinadamente xistos. Veios de quartzo com ouro, kimberlitos greisens portadores de Sn, pegmaticos com Ta, Sn, Be, Li e Cs. Rochas calcossilicatadas com possibilidade de conter scheelita. Metabasitos portadores de concentra\u00e7\u00f5es de sulfetos de Cu, Pb e Zn. Hornfelses podendo apresentar Cu, Pb, Zn, F\u00e9, Au, w e n\u00e3o met\u00e1licos como a brucita e apatita.\u00a0\u00a0\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Na por\u00e7\u00e3o Sul e centro Sul do munic\u00edpio aparece unidade Forma\u00e7\u00e3o Dardanelos, que segundo Almeida &amp; Nogueira Filho (1959) \u00e9 composta por camadas vulcanocl\u00e1ticas levemente metamorfoseadas, apresentado rochas aren\u00edticas e subgrauvacas vulc\u00e2nicas. \u00c9 uma cobertura sedimentar que vai dar origem aos plat\u00f4s que aparecem com freq\u00fc\u00eancia no munic\u00edpio. Pode apresentar: ouro, cobre, zinco, pirita, calcopirita, estanho, turmalina, mangan\u00eas, ferro e calc\u00e1rio.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Na por\u00e7\u00e3o Oeste, duas pequenas unidades se fazem presentes em contato com o Complexo Xingu:</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">- Grupo Iriri que composto por riolitos, riodacitos, andesitos, basaltos e rochas pirocl\u00e1sticas e ignimbritos;</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">- Su\u00edte Intrusiva Serra da Provid\u00eancia em que se nota a presen\u00e7a de bat\u00f3litos e stocks de granitos, granitos rapakivi, gran\u00f3fitos e microgranodior\u00edtos.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0Na por\u00e7\u00e3o Norte do munic\u00edpio h\u00e1 presen\u00e7a da Forma\u00e7\u00e3o Mutum-Paran\u00e1, com manchas do Complexo Xingu e Forma\u00e7\u00e3o Dardanelos. A Forma\u00e7\u00e3o Mutum-Paran\u00e1 apresenta um conjunto de rochas cl\u00e1sticas e pirocl\u00e1sticas epimetamorfizadas, constitu\u00edda por arenitos, siltitos, folhelhos e tufos.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0A Noroeste aparece o Grupo Iriri, j\u00e1 citado anteriormente.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0Nas plan\u00edcies de inunda\u00e7\u00e3o dos rios parecem as Aluvi\u00f5es Atuais, constitu\u00eddos por areias, siltes, argilas e cascalho. S\u00e3o dep\u00f3sitos mal selecionados que podem conter ocorr\u00eancias de ouro, cassiterita e raramente diamante.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0A regi\u00e3o onde est\u00e1 localizada a cidade de Juina \u00e9 constitu\u00edda por Coberturas Conglomer\u00e1ticas \u2013 intercala\u00e7\u00f5es de arenitos grosseiros, micro-conglomer\u00e1ticos e camadas de cascalhos .</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><span>1.3.2 -\u00a0 Geomorfologia</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><span>A geomorfologia do munic\u00edpio est\u00e1 ligada ao Planalto dos Parecis que a partir da margem esquerda do rio Juruena passa a ser dissecado, apresentando formas suavemente onduladas como colinas amplas, pequenos plat\u00f4s e morrotes com intrus\u00f5es de granito. Provavelmente o munic\u00edpio pega o final do cintur\u00e3o m\u00f3vel que contorna o cr\u00e1ton do Guapor\u00e9, que foi posteriormente recoberto pela unidade geomorfol\u00f3gica do Planalto do Parecis.</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">O Planalto do Parecis se apresenta no munic\u00edpio de Juina, como pequenas superf\u00edcies planas que foram designadas como plat\u00f4s. Esses plat\u00f4s de pequenas altitudes (30 a80 metros, a n\u00edvel local) em cujas bordas apresentam pequenas\u00a0 escarpas e as vezes cuestas s\u00e3o superf\u00edcies de aplanamento que ainda est\u00e3o sendo trabalhados pela eros\u00e3o. S\u00e3o unidades boas (pela forma) para a implanta\u00e7\u00e3o de agricultura. Intercalando com os plat\u00f4s aparecem as colinas que se apresentam amplas em que se desenvolve a pecu\u00e1ria (Fig. 08).</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><span>Entre os plat\u00f4s e as colinas formam-se vales encaixados por onde podem correr c\u00f3rregos ou rios. Os vales maiores caracterizam-se por apresentar plan\u00edcies aluviais como \u00e9 o caso do rio da Eug\u00eanio, Vinte e Um e Preto, notadamente na por\u00e7\u00e3o Sul. Os grandes rios como o Juruena, apresentam vales amplos e me\u00e2ndricos.</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Na por\u00e7\u00e3o Sul, Nordeste e Noroeste (acompanhando a divisa) do munic\u00edpio aparecem plat\u00f4s intercalados por colinas amplas e morrotes com intrus\u00f5es de granito (fig. 09), com disseca\u00e7\u00e3o de suave a m\u00e9dia.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Na por\u00e7\u00e3o central aparecem colinas amplas dissecadas, intercaladas por pequenos plat\u00f4s, sendo que as instru\u00e7\u00f5es de granito s\u00e3o recorrentes (Fig. 10)</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Na por\u00e7\u00e3o Central-Norte aparece a unidade de Sistema de Faixas Dobradas que forma a Serra Morena com estrutura preservada.\u00a0 Esta unidade \u00e9 tamb\u00e9m conhecida como serras residuais.<span>\u00a0</span></p>", "author_name": "deneripr", "version": "1.0", "author_url": "https://www.juina.mt.leg.br/author/deneripr", "provider_name": "Munic\u00edpio de Ju\u00edna", "type": "rich"}